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Sobre a letargia dos músicos reacionários, sobre as pessoas manipuladas e reclusas em gaiolas digitais, sobre o triste cenário musical brasileiro...


Amigos, aqui vai mais uma crítica amigável, um lamento e, ao mesmo tempo, um desejo em relação à nossa música brasileira -- tanto quanto à MPB como quanto à Música Instrumental Brasileira. Nos anos de 2009 e 2010, graças ao pioneirismo deste blog e do companheirismo de amigos músicos, jornalistas, produtores e apreciadores de música,  pude me maravilhar com o jazz contemporâneo, tendo contato bem de perto com músicos fantásticos desta estirpe. Nestes anos, a exemplo de como já vinha acontecendo no festival mineiro Tudo é Jazz, em Ouro Preto, muitos paulistas e paulistanos realmente puderam conhecer o que era jazz contemporâneo propriamente dito: à época, o produtor Toy Lima acabara de lançar  por aqui o excelente Bridgestone Music Festival, onde eu pude entrevistar músicos como o contrabaixista Dave Holland, o clarinetista e compositor Don Byron, o trompetista Christian Scott, o pianista Jason Moran, o contrabaixista Christian McBride, entre outros expoentes do jazz contemporâneo. Além dos músicos citados -- e apesar de ter perdido apresentações de muitos outros, como as dos figurões Ahmad Jamal e  Ornette Coleman --, também  consegui ver de perto o pianista Brad Mehldau (no SESC) e o fantástico saxofonista Ken Vandermark (no Centro Cultural São Paulo), multiinstrumentista de sopros e improvisador relacionado à linha jazzística chamada modern creative e à livre improvisação. Toda essa experiência de assistir esses fantásticos músicos americanos de perto me fez ainda mais crítico em relação ao cenário da música instrumental brasileira: a noção de que realmente há uma proporção de uma dezena de músicos brasileiros ousados contra uns duzentos músicos americanos que são tão ou mais ousados que estes nos ficou totalmente constatada. Quer dizer, também ando acompanhando de bem perto a cena jazzística/instrumental de Sampa desde 2009, quando comecei a investigar algumas apresentações de músicos locais. Desde então, sempre fico admirado com a qualidade do som apresentado por alguns músicos virtuoses e/ou renovadores do instrumental brasileiro, como o guitarrista Michel Leme, o pianista André Mehmari, o bandolinista Hamilton de Holanda (que não é de SP, mas sempre está por aqui) e, principalmente, os músicos relacionados ao Conservatório de Tatuí, tais como o  pianista André Marques e seus companheiros do Trio Curupira e da Vintena Brasileira -- aliás, lembro-me que o exercício de ouvir e assistir esses músicos me levou a crer que nosso Brasil tem, sim!, uma música instrumental que pode ser colocada no mesmo patamar de criatividade do jazz contemporâneo e da livre improvisação praticados atualmente por americanos e europeus; e o melhor: cada um desses músicos citados tem seu estilo e sua linha de, digamos, procedimento criativo na hora do "fazer música", o que revela que também dispomos de uma diversidade musical que transcende a nossa já multi-diversificada raiz cultural. Mas, infelizmente -- e afora os músicos citados acima --, ainda são bem poucos os músicos brasileiros que ousam sair das amarras da tradição e do folclore tão bem apregoadas nas faculdades, nos conservatórios e nas escolas de música, muitas das quais desprovidas do ensino da música moderna e pós-moderna -- aliás, se a classificação "música moderna" já não é bem compreendida nos meios onde se faz e se ensina música instrumental no Brasil, a classificação "música pós-moderna", então, chega a ser tratada como um rótulo mutante, ou para artistas charlatães e inferiores. A maioria dos atuais músicos brasileiros -- e estou falando de grandes instrumentistas mesmo, alguns dos quais já bem repercutidos na nossa raquítica "mídia especializada" -- não querem se arriscar por novos caminhos, não querem sair daquela "zona de conforto" de ganhar  algum dinheiro dando aulas, palestras e workshops para ficarem, no máximo, se debruçando sobre o mainstream requentado, tocando estilos convencionais já relidos e outrora massificados, como a bossa, o choro e o samba -- e o ruim é que o fazem da forma como aprenderam e acostumaram a fazê-lo desde sempre; e o pior é que não se sentem envergonhados de se apresentarem como músicos especializados em música ambiente para bares e espaços onde as pessoas estão mais interessadas em fofocas do que em música. Isto é, não que devamos renegar nossa própria tradição musical -- o choro, o samba, o frevo, a bossa nova e etc -- em favor de alguma ruptura barata e pseudo-inovadora, mas acho que já não é mais novidade pra ninguém que a música brasileira, como um todo, chegou a um ponto onde a padronização (o "tocar sempre a mesma coisa e do mesmo modo"), a letargia (preguiça e medo em se arriscar por caminhos diferentes) e a banalidade e a vulgaridade ("fanqui carioca", "ai se eu te pego" e bundararê afins) estão tomando o espaço da qualidade e da criatividade e, portanto, precisa-se de cantores, músicos e compositores que, pelo menos, ousem em trabalhar com  novas misturas e colagens, ousem trazer novos ares, ousem em usar, inovar e transverter os elementos da tradição e do folclore de uma forma mais original, pessoal e contemporânea, como bem fizeram, por exemplo, o cantor Milton Nascimento, compositor Moacir Santos, o multiinstrumentista Hermeto Pascoal e os cancionistas da Tropicália em suas épocas. Quanto ao público, bem...não há outra forma de conseguir sua  atenção e respeito senão tocando algo que lhes chamem a atenção, algo diferente -- e não algo que lhes faça "sala" para um bate papo sobre o que rolou nas novelas da Globo, na Revista Veja ou na Caras. Muitos artistas -- principalmente os músicos -- criticam ferozmente o "sistema", a mídia manipuladora e conservadora, mas, no receio de que sua arte seja rejeitada pelas pessoas comuns -- sim, as mesmas pessoas que são manipuladas por esta mídia --, eles se rebaixam ao pastiche, ao padrão, ao comum; ou, vai saber: talvez eles se rebaixam mesmo é pelo anseio hipócrita de serem visibilizados por esta mídia, a mesma -- frisando! -- que eles acham conservadora e manipuladora. Querem um exemplo de padronização com letargia? Aqui vai dois: contem quantas cantoras de MPB já copiaram ou copiam constantemente o pop internacional ou, quando muito, a voz, o estilo e até os trejeitos da legendária cantora baiana Marisa Monte; contem quantos músicos e jazzistas brasileiros -- a maioria dispostos de excelente técnica, diga-se de passagem! -- ficam enclausurados a vida toda como intérpretes de jazz standard ou ficam reproduzindo o já manjado samba-jazz, estilo do qual devemos lembrar, a propósito, que é advindo da década de 60 ainda. Mas nós, pessoas que compõe o público, também temos nossa parcela de culpa. Estamos num tempo onde a maioria das pessoas não se interessa por discussões sobre nossos problemas culturais e políticos, revoluções, inovações na arte  e etc..., pois elas geralmente estão reclusas ou ocupadas em discutir sobre reality shows  (Big Brother e similares), criar memes idiotas no Facebook, bisbilhotar a vida dos outros nas redes sociais e invejar a fortuna e o moicano do Neymar.

4 comentários:

SENÔ JÚNIOR disse...

Infelizmente tenho que concordar que tudo isso realmente está ocorrendo na música brasileira. O que a grande maioria quer mesmo é visibilidade, integrar a cena televisiva, ser ovacionado, tietado e ter críticas favoravéis na grande imprensa manipuladora.
Tivemos algus acontecimentos que iniciaram o novo em nossa música.Tivemos a bossa nova, a tropicália, mas antes mesmo disso tudo tivemos Chiquinha Gonzaga.Hermeto já citado aqui foi outro grande ousador e recentemente lá pelos idos dos anos 80 Arrigo Barnabé com o "Clara Crocodilo" deu uma oxigenada na criação ao ousar dodecafonicamente.A sertanejada invadiu tudo quanto foi espaço, mas meu pai o Maestro Senô, dizia que não era sertaneja era brega. Bom eles estão ai de qualquer forma seja com que rótulo for, dando a parecer que não existe nada mais além disso no planeta música.Felizmente temos , ainda que em minoria, pessoas que não estão ocupadas nos brilhos dos refletores globais e tais;estão elaborando trabalhos com densidade e estão sim ousando, independentemente do que possam achar os requintados senhores patrões culturais. Outro dia um camarada apresentou um trabalho para um tal de Max e esse após ouvir o trabalho perguntou na maior cara de pinico se não dava pra incluir uma levada axé numa das composições.Foi o fim. O trabalho bombou mesmo sem a inclusão dessa pitada de înventividade do Max, mas demonstra bem o que norteia o pensamento dos barões culturais.Tá capenga , tá sim ,mas tem o pessoal da outra banda do rio e do Rio que é dotada de inteligência e sensibilidade e não está nem ai pra essa farofada toda que anda acontecendo na música do Brasil.Aproveito para render aqui minhas homenagens pelos 12 anos de partida para o outro plano do Maestro Senô,trombonista de primeira qualidade, ex integrante da Banda Paralamas do Sucesso.

M. Toste disse...

Uma boa parte dos músicos sabe o quão ridículos são em fazer o que é vendido, eles sabem sobre a merda toda. Talvez falte de fato a eles a coragem de arriscar e o comodismo de estarem tocando para bandas sertanejas e dando aulas para ganhar dinheiro pouco, na verdade, muitas vezes para sobreviverem como músicos... problema essencial: música é para todos, viver fazendo boa música é para poucos!!

M. Toste disse...

coragem é fáCIL COBRA E DIFÍCIL TER

Anônimo disse...

infelizmente, isso parece ser sistêmico neste brazil-zil-zil! ousadia é reprimida em campos diversos, como ciência, política (veja o exemplo da marcha da maconha) e na arte. será resultado de nossa mentalidade de colonizados? preguiça de enfrentar o descontentamento da galera?estamos ficando burros e mimados por aparelhinhos de design clean e preços absurdos. dependentes de likes e comments superficais. cultuadores de celebridades cujo maior feito foi aparecerem na mídia. impacientes com filmes q não sigam os padrões da indústria de entretenimento (um certo ritmo, uma certa caracterização de tipos, um certo estilo de trilha sonora etc). vivemos na era das facilidades, do mastigado, do politicamente correto. blá, blá, blá.

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